ARTIGOS EM GERIATRIA

 

 

Tratamento do transtorno cognitivo leve em centros de doença de Alzheimer na Califórnia
Treatment Practices of Mild Cognitive Impairment in California Alzheimer’s Disease Centers

Andrea M. Weinstein, Cynthia Barton, Leslie Ross, Joel H. Kramer and Kristine Yaffe
JAGS April;57(4):686-90; 2009

O transtorno cognitivo leve (TCL) é uma síndrome cognitiva comum que acomete cerca de 19% dos indivíduos maiores de 65 anos. Estes indivíduos tem de 3 a 5 vezes mais chance de desenvolver Doença de Alzheimer (DA) quando comparados àqueles idosos com cognição normal e apresentam maior mortalidade geral. O órgão que controla as patentes de medicamentos nos EUA não aprovou nenhuma medicação específica para o tratamento desta síndrome até o momento. Alguns estudos sugerem que o uso de estatinas e alguns antioxidantes poderia ser útil na prevenção do TCL e mostraram a associação com o aumento da homocisteína e a diminuição do ácido fólico.

O objetivo deste estudo foi verificar o estado da arte do tratamento dos pacientes com TCL e determinar as características dos pacientes em uso de algumas medicações (anti-DA, estatina, antioxidantes e ácido fólico).

MÉTODOS: o desenho do estudo foi transversal. Participaram 578 pacientes com TCL do departamento de saúde pública de centros de pesquisa da Doença de Alzheimer na Califórnia. Para a coleta de dados, foi utilizado o Minimum Uniform Data Set (MUDS), que relaciona dados demográficos (idade, sexo, raça, escolaridade), diagnósticos, história médica, exame neurológico, avaliação neuropsicológica e uso de medicações. Foram incluídos no estudo todos os pacientes avaliados com TCL entre julho de 2006 e abril de 2008. O TCL foi subdividido em forma amnéstica e não-amnéstica. A disfunção neurocognitiva foi avaliada segundo os critérios sugeridos por Petersen e colaboradores. A avaliação funcional foi feita através da Blessed-Roth Dementia Rating Scale (BRDRS). A cognição foi avaliada pelo Mini-Mental de Folstein. As drogas prescritas a esses pacientes foram: anti-DA (memantina, donepezil, galantamina e rivastigmina), antioxidantes (vitamina E, ácido ascórbico, coenzima Q10) e estatinas (lovastatina, pravastatina, sinvastatina, fluvastatina, atorvastatina, rosuvastatina). Modelos de regressão logística foram utilizados para determinar as características associadas aos pacientes em uso dessas medicações.

RESULTADOS:

- 166 pacientes (28,7%) estavam tomando medicamentos anti-AD; eram os indivíduos mais velhos, com maior incapacidade funcional, ensino superior e TCL subtipo amnéstico.

- 252 pacientes (43,6%) estavam tomando estatinas; seu uso foi associado a diabetes mellitus, hipertensão, infarto do miocárdio, sexo masculino.

- 115 pacientes (19,9%) estavam tomando antioxidantes; seu uso foi associado a maior escolaridade e diabetes mellitus.

- 37 pacientes (6,4%) estavam tomando ácido fólico; seu uso foi associado a raçã (não-brancos), sexo masculino e maior incapacidade funcional.

DISCUSSÃO: nenhum estudo até o momento mostrou que os inibidores da acetilcolinesterase melhoram os sintomas ou retardam a progressão do TCL para DA. Pelo que se sabe, a memantina não tem benefício no TCL. Por isso, as drogas anti-DA devem ser utilizadas somente em indivíduos com diagnóstico de demência -- o que subentende prejuízo da funcionalidade e de memória, diferente do que acontece no TCL, onde não há prejuízo funcional evidente.

As estatinas são drogas úteis para os pacientes com dislipidemia e doença cardiovascular mas não há evidência conclusiva até o momento de seus benefícios no TCL. Estudos mostram que a vitamina E aumenta o risco de falência cardíaca e da mortalidade geral e não tem benefícios no TCL. O ácido fólico não é suficiente para prevenir a progressão da disfunção cognitiva.

Limitação deste estudo: alguns pacientes poderiam ter demência em fase inicial e não apenas TCL, em função da dificuldade dessa distinção diagnóstica em alguns casos.

CONCLUSÃO: o estudo sugere que pacientes com TCL são frequentemente tratados com inibidores da colinesterase e memantina apesar de essas drogas não estarem liberadas para uso nessa doença.

 

 

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