Melhorando o cuidado em pacientes com disfagia
Improving care for patients with dysphagia
Rosenvinge S, Starke I
Age and Ageing. 2005; 34: 587–593
A disfagia pode resultar de uma variedade de afecções médicas, agudas ou neurologicamente progressivas, traumatismos, doenças ou cirurgias. Dos pacientes que apresentam dificuldades na deglutição, 50-64% são hospitalizados com histórico de AVE, 68% são idosos asilados e 30%, idosos hospitalizados por problemas agudos.
A disfagia é identificada como um preditor de mortalidade nos pacientes com histórico de AVE e um importante fator de risco para pneumonia aspirativa e desnutrição, estando associada a maior tempo de permanência no hospital e aumentando custos para o sistema de saúde.
Os pacientes com histórico de AVE raramente percebem que apresentam problemas de deglutição. Apesar das orientações de fonoaudiólogos, os pacientes com disfagia podem estar em risco de aspiração. Sendo assim, os cuidadores devem ser treinados para oferecer condições de deglutição mais segura a esses pacientes.
Este estudo sequencial observacional, antes e depois da intervenção, no Hospital Universitário de Lewisham (Londres), propõe determinar a adesão das recomendações nos pacientes com disfagia e investigar a eficácia das mudanças na prática.
Em maio de 2002, 31 pacientes de diferentes unidades do Hospital (unidades de AVE, Geriatria, Medicina Geral e Cirúrgica), tanto em dieta zero ou em dieta oral, foram submetidos a uma primeira avaliação. Todos passaram por anamnese, avaliação clínica e exames complementares (como videofluoroscopia da deglutição e endoscopia por fibra óptica, se houvesse indicação). As orientações fonoaudiológicas diziam respeito à consistência dos líquidos, às modificações dietéticas, às quantidades oferecidas, às estratégias de deglutição, às recomendações para deglutição segura e ao nível de supervisão requerida.
Em setembro de 2003, os pacientes foram reavaliados. Resultados: de 48-64%, P< 0,05 de adesão para as recomendações quanto às consistências dos líquidos, 35-69%, P< 0,05 de adesão para controle da quantidade de alimento ofertado, 51-90%, P< 0,01 de adesão para as recomendações quanto à deglutição segura e 35-67%, P< 0,01 de adesão para nível de supervisão requerida foram encontrados. Não houve diferença significativa na adesão quanto às modificações dietéticas ou estratégias de deglutição. Ocorreram melhores adesões nas unidades de Medicina Geral, Geriatria e de AVE, mas não ocorreu boa adesão na unidade cirúrgica. A adesão para dieta zero foi de 100%. O teste estatístico do qui-quadrado foi usado para analisar a significância das diferenças.
O estudo aponta para medidas simples e de baixo-custo, incluindo um programa educacional adaptado às necessidades dos pacientes com problemas de deglutição, a serem ajustadas em outras realidades. O diagnóstico precoce e o efetivo gerenciamento da disfagia reduzem a incidência de pneumonia aspirativa, limitando custos, melhorando a qualidade do cuidado e o resultado final.
(Resumo por Márli Borborema - fonoaudióloga - CIPI/UERJ)
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