Identificando Doença Renal Crônica em Idosos: Quais as Implicações?
Detecting Chronic Kidney Disease in Older People: What Are the Implications?
Paul J. Roderik et cols.
Age and Ageing 2008; 37: 179-186.
Existe grande preocupação em identificar e controlar a doença renal crônica (DRC) para prevenir tanto a progressão para insuficiência renal terminal quanto doença cardiovascular. No entanto, valores determinantes de DRC em idosos ainda não estão claros.
O objetivo do estudo foi determinar a frequência de DRC em idosos usando a estimativa de taxa de filtração glomerular (TFG) e suas associações com morbidade e medidas funcionais. O desenho foi observacional e seccional, envolvendo 13.109 idosos ingleses com 75 anos ou mais. A TFG foi calculada em ml/min usando a fórmula de Modificação de Dieta na Doença Renal. Vale lembrar que, desde 2002, conforme proposta da National Kidney Foundation norte-americana, a DRC pode ser estratificada em 5 estágios, conforme a TFG: 1 e 2 (TFG > 60), 3 (45-59), 3 (30-44) e 4 e 5 (< 30). O estágio 3 foi subdividido em duas categorias em função de evidência de aumento progressivo no risco de mortalidade.
Foram identificados 56,1% dos participantes com TFG < 60, 17,7% < 45 e 2,7% < 30. A prevalência de doença renal aumentou com a idade em todos os estágios e foi muito mais alta em mulheres. Ou seja, mais da metade da população era portadora de DRC estágios 3-5. No entanto, apenas os portadores de TFG < 45 apresentaram associações mais fortes com comorbidades, declínio cognitivo e funcional e consequências potencialmente reversíveis da perda da função renal como anemia. Na verdade, embora o risco cardiovascular comece a aumentar a partir da TFG < 60, ele sobe de forma abrupta quando a TFG é menor que 45.
O estudo sugere, então, que deve-se tentar ser mais específico ao identificar subgrupos de pessoas com risco cardiovascular ou de progressão da doença renal dentre os idosos com DRC estágio 3-5 (TFG < 60). Talvez essa classificação seja abrangente demais para uso na prática clínica em idosos, pois quando ela é usada mais da metade da população (sobretudo mulheres) foi considerada como "doente" -- e somente o subgrupo com TFG < 45 apresentava verdadeira correlação com comorbidades. Uma TFG baixa (< 45 e principalmente < 30) é um achado importante em idosos e identifica um grupo vulnerável que se beneficia de investigação e tratamento adicionais.
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