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Estimulantes da Eritropoiese em Anemia

Erythropoiesis-stimulating Agents in Anemia

Dharmarajan TS, Widjaja D.

Geriatrics. 2008;63(6):13-16, 18,29.

A eritropoietina, um fator humoral produzido predominantemente pelos rins, estimula a produção de hemácias pela medula óssea. Agentes estimulantes da eritropoiese vêm sendo usados há anos no tratamento de anemia, com larga experiência e benefícios comprovados na anemia da doença renal crônica. Dados recentes relacionados a consequências adversas desses agentes motivaram uma revisão sobre o tema.

Embora os estimulantes da eritropoiese sejam eficazes em certos tipos de anemia, é essencial usá-los de forma apropriada. A epoietina alfa foi aprovada em 1989 para uso na doença renal crônica (DRC). Em 2000, a darbepoietina foi desenvolvida para aumentar a meia-vida plasmática da medicação

Ocorre uma notória redução da função renal com o envelhecimento. Da mesma forma, um declínio da produção renal de eritropoietina pode ser observado quando o clearance de creatinina é menor que 60 ml/min. Mais da metade dos idosos com DRC estágio 3 apresentam anemia. Embora a principal causa nessa situação seja deficiência de eritropoietina, qualquer outra causa de anemia (como perda sanguínea ou carência de ferro) pode estar envolvida e deve ser feita uma avaliação completa. Alguns estudos randomizados controlados demonstraram que o uso de eritropoietina na DRC melhora a hemoglobina e o hematócrito, diminui a necessidade de hemotransfusões, melhora a qualidade de vida e capacidade para o exercício e não altera a progressão da doença renal.

Baseando-se em estudos recentes relacionados ao assunto, a Food and Drug Administration (FDA) norte-america publicou recomendações em novembro de 2007 para garantir a segurança e a eficácia do uso dos estimulantes da eritropoiese. Entre elas, está o fato de que os valores para início da eritropoietina devem ser hemoglobina < 10 g/dL, saturação de transferrina > 20% e ferritina > 100 ng/mL. Contra-indicações para o seu uso seriam hipertensão não-controlada e hipersensibilidade a produtos derivados de células de mamíferos e albumina. Os níveis de hemoglobina considerados como alvo do tratamento estão entre 10-12 g/dL. Quando a eritropoeitina é usada para elevar a hemoglobina a níveis mais altos (13,5-14 g/dL), existe risco de morte e eventos cardiovasculares graves. Conforme a hemoglobina se aproxima de 12 g/dL, as doses de eritropoietina devem ser temporariamente suspensas até que o valor comece a declinar, quando a terapia deve ser reintroduzida em doses 25% mais baixas. Se o aumento da hemoglobina for < 1g/dL após 4 semanas e as reservas de ferro estiverem adequadas, pode-se aumentar a dose de eritropoietina em 25%.

Precauções importantes: no paciente cuja hemoglobina não atinge os valores recomendados após 12 semanas, apesar da titulação da eritropoietina, a dose não deve ser aumentada. Usa-se a dose mais baixa para manter a hemoglobina e evitar transfusões. Nesse paciente, devem ser exaustivamente pesquisadas outras causas de anemia. Suspende-se a eritropoietina caso o paciente seja dependente crônico de transfusões. Os níveis de ferro devem ser continuamente monitorados durante o tratamento, bem como a hemoglobina (semanalmente por 2-6 semanas) e o potássio (pelo risco de hipercalemia). São permitidos ajustes da dose de eritropoietina a cada mês, sendo a dose inicial recomendada de 75-150 unidades por Kg por semana, por via subcutânea ou intravenosa, para paciêntes que não se encontram em diálise.

Em resumo, os estimulantes da eritropoiese possuem uma eficácia ímpar em idosos com doença renal crônica, porém seu uso precisa seguir recomendações estritas para garantir a segurança do tratamento e evitar iatrogenias.

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