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Dia Mundial dos Cuidados Paliativos

Chegamos ao término da 2ª década do século XXI e o processo de envelhecimento mundial continua em um ritmo acelerado. Seja por progressos da tecnologia, por melhorias na condição de saúde, na evolução sociocultural e até mesmo nas flutuações político-econômicas, o envelhecimento nos traz desafios e nos exige soluções.

No campo da saúde, a consolidação das doenças crônicas, degenerativas, associadas ou não ao envelhecimento, é um marco – que exige não apenas do sistema sanitário, mas também da população, uma mudança na forma de pensar o cuidar de uma pessoa, especialmente se idosa. Atualmente, com a pandemia do COVID-19, o envelhecimento ganha ainda mais destaque, essencialmente quando o limite do sistema de saúde está em evidência, no tocante a disponibilização de recursos e oferta de serviços.

Em todo este contexto, se percebe que a vida tem limitações e, em paralelo, que a morte se tornou mais complexa, como um “evento frustrante” que muitas vezes nos paralisa e nos deixa um halo de grande sofrimento. As questões do envelhecimento e da terminalidade nos impõe reflexão sobre o processo de morte e limitações impostas: ao corpo, aos recursos, as emoções e nos exige compreender que a morte faz parte da vida e que não corresponde ao fracasso.

No processo inexorável do envelhecer, existe a possibilidade de nos depararmos com alguma doença crônica, progressiva e incurável. Desta forma, há uma necessidade imperiosa de ofertar cuidados favorecedores de uma abordagem que amenize o sofrimento, trate de questões humanas e ofereça tratamento muito além do conhecido como convencional.

Câncer, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, Insuficiência Renal, Demências e Insuficiência Cardíaca, não importa qual, mas a presença de qualquer doença incurável ao longo do processo de envelhecimento normal deve contribuir para a reflexão sobre o quanto os cuidados focados no conforto podem amparar a tomada de decisão, de forma que esta reflita os legítimos anseios do paciente.

Os Cuidados Paliativos formam um grupo de intervenções em saúde, que independem da idade e respeitam características individuais e vontades manifestas pelo indivíduo ou seu representante legal. Este indivíduo pode ser portador de uma doença incurável e ou estar enfrentando uma situação de saúde progressiva, irreversível e que gere um sofrimento ao paciente e família. Em qualquer idade, a partir da presença de uma ou mais doenças ameaçadoras da continuidade da vida, o indivíduo, pode apresentar elevado grau de sofrimento físico e ou existencial.

Esta persona em sofrimento merece receber orientações de direitos sociais, deve receber auxílio psíquico e espiritual durante toda trajetória de doença. Além disso, seu familiar pode entrar em sofrimento ao perceber a proximidade da morte. Sendo assim, o cuidado paliativo é método terapêutico ideal para cuidar do binômio paciente e família, que enfrenta uma doença progressiva e em alguns casos sem possibilidade de terapia curativa.

A Organização Mundial de Saúde define os cuidados paliativos como um conjunto de medidas direcionadas aos pacientes (adultos e crianças) e seus familiares, diante de uma doença incurável, a partir da prevenção, diagnóstico preciso e tratamento impecável da dor e de outros sintomas, como falta de ar, cansaço, ansiedade, além das ações dirigidas aos aspectos psicossociais e espirituais dos pacientes.

Os cuidados paliativos são reconhecidos como cuidado integral e integrado e forma holística do indivíduo, de maneira a promover intervenções efetivas no cuidado. Esta forma ética e humana do cuidar pode ser ofertada em qualquer ambiente de atenção à saúde (seja hospital, casa, ambulatório) e deve ser oferecida desde o diagnóstico da condição mórbida, de forma a contribuir na promoção da vida com a melhor qualidade possível.

Importante esclarecer que ao ser oferecida a abordagem dos cuidados paliativos não significa que o profissional esteja desistindo do processo terapêutico ou do paciente; pelo contrário, nesta linha de cuidado não se deixa de ofertar recursos medicamentosos ou tecnológicos proporcionais ao paciente e adequados às suas Diretivas Antecipadas de Vontade. O cuidado encontra-se estruturado na utilização de recursos de forma racional, no intuito de evitar o prolongamento do sofrimento; por meio do uso ético dos tratamentos disponíveis, atento ao respeito no ser humano, suas vontades, seus ideais. O cuidado paliativo é pensar, agir e suportar a melhor forma de cuidar de alguém que está vivenciando uma doença grave que pode levar o indivíduo aos seus últimos momentos de vida e a possibilidade de uma “boa morte”; até porque este conceito é muito individual tendo como premissa os valores, os objetivos de vida e até mesmo as bases filosóficas de cada pessoa.

Outra característica conceitual, é que esses mesmos cuidados não cessam com a morte da pessoa, pois os familiares, que fazem parte do núcleo de atendimento, podem e devem ser acolhidos no período de luto. Os Cuidados Paliativos, portanto, contemplam várias dimensões do ser humano e; quando estamos diante de uma pessoa com doença incurável, temos a obrigação de protegê-la e oferecê-la o máximo de conforto e acolhimento, com o propósito de amenizar qualquer sintoma ou condição que leve ao sofrimento, pois “o sofrimento humano só intolerável quando ninguém cuida” (Cicely Saunders).

Aproveitamos para convidar todos para o evento Espiritualidade em Saúde a ser realizado no dia 17 de outubro de 2020. Evento é dirigido para todos os profissionais de saúde onde discutiremos diferentes interfaces da Espiritualidade no aspecto do cuidado, inclusive no Cuidado Paliativo.

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