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Depressão

A depressão é comum em idosos, sendo considerada uma síndrome geriátrica. Muitas vezes é subdiagnosticada e subtratada. É o transtorno psiquiátrico mais comum na população em geral e a condição de saúde mental mais comum em pacientes atendidos na atenção primária.

Na ausência de rastreio, estima-se que apenas 50% dos pacientes com depressão sejam identificados. A menos que perguntados diretamente sobre seu humor, os pacientes omitem informações sobre sintomas depressivos por várias razões, como o medo da estigmatização. Recomenda-se a realização do rastreio da síndrome depressiva em consulta de saúde de rotina, através da anamnese e de instrumentos de avaliação, para garantir o diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento adequados.

É importante distinguir depressão de tristeza: a depressão é uma doença, enquanto a tristeza é uma emoção. Na depressão, o caráter dos sintomas é persistente e tem-se associação com outras manifestações clínicas, como distúrbios do sono e do apetite. As tarefas do cotidiano tornam-se difíceis e requerem grande esforço para a execução. Já a tristeza é saudável e ajuda no processo de elaboração de perdas ou sofrimentos. Tal quadro se atenua com o passar do tempo e a vida aos poucos retoma o seu ritmo normal.

A depressão tem impacto significativo na qualidade de vida, na dependência funcional, no curso das doenças concomitantes, no uso dos recursos de saúde, além do impacto na morbidade e na mortalidade. Destacam-se como fatores de risco o luto, os distúrbios do sono, múltiplos problemas de saúde, depressão prévia e o sexo feminino. A idade avançada não é considerada um fator de risco. Sabe-se ainda que a taxa de suicídio é quase duas vezes mais alta nos idosos, em comparação com a população em geral, sendo a maior taxa para os homens brancos acima de 85 anos.

Pacientes com depressão apresentam sintomas de humor, cognitivos ou somáticos. Os idosos são mais propensos a apresentar tais sintomas somáticos, como dor de cabeça ou abdominal, além de queixas gerais como fadiga ou redução de energia, o que dificulta o diagnóstico. O comprometimento cognitivo pode ainda ser a principal queixa do paciente com depressão e esta, por sua vez, também pode piorar a cognição nos pacientes com demência, sendo importante atentar para tal diagnóstico diferencial.

A terapêutica farmacológica e a psicoterapia são essenciais no tratamento da depressão. Nos idosos com quadro leve, apenas a psicoterapia pode ser eficaz. Entretanto, nos casos moderados a graves, a combinação dos tratamentos geralmente produz maior redução dos sintomas e manutenção da resposta terapêutica, do que quando realizadas isoladamente.

A população idosa pode apresentar menor resposta aos antidepressivos ou necessitar de mais tempo para responder à intervenção. Cabe ressaltar a importância do envolvimento social, através de atividades ou lazer, além da boa relação médico-paciente para melhor resposta terapêutica.

Aproximadamente metade dos pacientes com síndromes depressivas apresenta remissão após um ano e 75% em até dois anos. Após a remissão, pode persistir algum sintoma, mais comumente a insônia, seguida de tristeza e diminuição da concentração. Indivíduos que sofreram com algum episódio depressivo frequentemente têm recorrências ao longo da vida.

Assim, é de extrema importância o acompanhamento médico e a conduta eficaz diante do quadro depressivo, para que a funcionalidade e a qualidade de vida do idoso sejam mantidas, com garantia de um envelhecimento bem sucedido.

Letícia Barreto

Geriatra

Comissão Científica de Geriatria da SBGG-RJ

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