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Tonteira

Tonteira é um termo inespecífico que pode estar relacionado a diferentes sintomas. Geralmente é difícil expressar em palavras exatamente o que se sente.

A história clínica é fundamental para a determinação da causa. Procure explicar detalhadamente como ocorre o sintoma, há quanto tempo começou, qual a duração (se ocorre rapidamente ou se permanece por horas ou dias), assim como o que desencadeia ou piora a sensação. Uma história clínica bem elaborada, acrescida de um exame físico detalhado, pode ser suficiente para o diagnóstico. Em casos específicos, exames complementares podem ser necessários.

Na presença de sinais de alerta como: dor de cabeça intensa, febre alta, visão dupla ou embaçada, dificuldade para falar ou ouvir, fraqueza unilateral em membros ou face, desmaio, dormência ou formigamento, dor no peito, vômito que não para, atendimento médico de emergência deve ser procurado.

Abaixo condições que muitas vezes são descritas como “tonteira” pelo idoso:

Vertigem. É percebida como uma ilusão de movimento, alguns interpretam como se estivessem girando e outros como se o ambiente girasse. Nunca dura mais do que algumas semanas. É comum que a vertigem ocorra durante algumas semanas, melhore e algum tempo depois ocorra novamente. Ou seja, explique para o seu médico se é uma tonteira que acontece há meses sem parar ou se ocorrem episódios durante dias ou semanas que melhoram e um tempo depois voltam. Além disso, piora com o movimento da cabeça, o que pode gerar pavor de se movimentar durante a crise.

Pré-síncope. É a sensação de quase desmaio. Dura alguns segundos a minutos e a sensação é de escurecimento da vista ou desfalecimento. Algumas vezes sensação de cabeça leve, calor, enjoo, transpiração intensa ou embaçamento da vista levando a quase cegueira. Raramente ocorre com a pessoa deitada.

Desequilíbrio. É uma sensação de instabilidade que ocorre principalmente durante o caminhar e compromete o desempenho funcional e social dos idosos. Pode estar associado a causas musculares, articulares ou neurológicas.

Tonteira inespecífica. Algumas pessoas possuem sensações ainda mais inespecíficas.  Depressão, síndrome do pânico e transtorno de ansiedade são causas prováveis nesses casos, assim como somatização, fibromialgia, dependência de álcool e distúrbios de personalidade.

Além disso, medicamentos podem causar tonteira, tanto como efeito colateral ou até mesmo como resultado da suspensão abrupta do uso. Sendo assim, não hesite em detalhar para o seu médico todos os remédios em uso, prescritos ou não, incluindo vitaminas, fitoterápicos ou medicações suspensas recentemente.

Não deixe de procurar seu médico para uma investigação adequada. Além do desconforto causado pela tonteira, o risco de complicações mais graves, tais como queda ou perda funcional, é muito alto. Geralmente, os idosos apresentam mais de uma causa para o desenvolvimento de tonteira. A investigação pode não ser simples, assim como o tratamento dificilmente se resumirá a uma medicação milagrosa. Caso haja indicação de algum tipo de medicamento, o seu uso deve ser reavaliado pelo médico constantemente ao invés de ser prescrito de forma contínua. As causas devem ser sempre identificadas, se possível, e tratadas.  Fisioterapia específica para reabilitação do labirinto assim como atividade física para treinamento de equilíbrio costumam ser parte fundamental do tratamento. Além disso, atentar para o uso de calçados seguros, casa segura com boa iluminação, sem tapetes ou muitos móveis pelo caminho e uso de apoio para caminhar, se houver necessidade, pode diminuir bastante o risco de quedas e suas complicações como fratura e hospitalização.

Cristina Marques Dias Bereicoa
Geriatra Titulado pela SBGG/AMB
Comissão Científica de Geriatria da SBGG-RJ

 

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