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Incontinência Urinária faz parte do envelhecimento?

Incontinência Urinária é frequente em idosos, mas não é consequência natural do envelhecimento

Incontinência Urinária (IU) é uma condição definida pela perda involuntária de urina em qualquer quantidade ou frequência (“vazamentos acidentais”) e representa uma das grandes síndromes geriátricas. Embora possa estar presente em qualquer fase da vida, a IU é mais frequente entre idosos. Segundo diferentes trabalhos, incide entre 10% a 64% da população com mais de 60 anos, sendo mais observada entre as mulheres e nos indivíduos institucionalizados.

A IU é, na maioria das vezes, condição de sofrimento em silêncio, seja pela vergonha em falar sobre ela, pelo entendimento equivocado dessa condição como parte natural do envelhecimento ou, ainda, pelo sentimento de que nada possa ser feito. Vale enfatizar que é uma condição tratável que, se não for abordada, pode diminuir a qualidade de vida, ao aumentar taxas de isolamento social, sexual, depressão, infecções e quedas. Tem, portanto, influência negativa na saúde e na vida social dos idosos acometidos.

A IU é pode acontecer por causas variadas. Idade avançada, múltiplos partos, cirurgias prévias e défices hormonais contribuem para perda da função esfincteriana. Outros fatores relacionados a IU são:  alterações anatômicas ou dos músculos pélvicos, comprometimento do sistema nervoso e circulatório, redução do volume, da elasticidade e da contratilidade da bexiga.

A depender da causa, a IU pode ser classificada em:
Incontinência urinária transitória/funcional: surge de forma súbita ou pontual em pacientes que não costumavam apresentar perda involuntária da urina ou corresponde a piora de incontinência previamente estabelecida. Geralmente, há uma causa identificável e potencialmente reversível (infecção urinária, impactação de fezes por constipação, diabetes descompensado, uso de medicamentos – em especial os diuréticos, limitações físicas, déficit cognitivo ou limitações ambientais);

Incontinência urinária de urgência:  manifesta-se por vontade súbita e intensa de urinar, não sendo é possível chegar ao banheiro a tempo. É o tipo mais comum de incontinência nas pessoas idosas.

Incontinência urinária de esforço ou estresse: apresenta-se por vazamento ou gotejamento urinário decorrente do aumento da pressão no abdômen (tosse, espirros, risos e esforço físico);

► Incontinência urinária mista: combina elementos de urgência e esforço;

 Incontinência urinária por transbordamento: ocorre pela perda da capacidade de esvaziar completamente a bexiga, o que acarreta transbordamento da urina residual.

Os sintomas de IU podem variar desde necessidade de urinar com frequência, aumento da frequência miccional noturna, micção lenta, micção retardada (maior tempo para começar a urinar), sensação de incapacidade de esvaziar completamente a bexiga e urgência urinária, até a completa perda do controle esfincteriano.

Para tratamento da IU, deve-se identificar a causa específica da mesma. A abordagem começa por intervenções não farmacológicas: parar de ingerir líquidos 4 horas antes de dormir, treinamento miccional e fisioterapia uroginecológica. Caso tais medidas não sejam suficientes, e após criteriosa avaliação, pode ser instituído tratamento farmacológico ou indicado tratamento cirúrgico (que pode ajudar, em alguns tipos de IU). Todo tratamento medicamentoso para IU deve levar em consideração o estado geral da pessoa e, se for o caso, suas outras doenças.

Em idosos dependentes do cuidado de terceiros, como aqueles com demência ou sequela de acidente vascular cerebral, a IU pode dificultar a assistência. Nesse cenário, a IU é apontada como um dos fatores que podem levar à institucionalização desses pacientes. Cabe à equipe de saúde revisar o uso de medicamentos e recomendar o uso correto de fraldas geriátricas.

Recomenda-se que idosos com IU procurem assistência médica de sua confiança para diagnóstico e tratamento dessa condição. É possível fazer cessar ou reduzir a incontinência em uma parcela considerável dos casos, desde que a pessoa receba orientações específicas.

Texto:
Dr. Raphael Cordeiro da Cruz
Geriatra Titulada pela SBGG/AMB
Comissão Científica – SBGG-RJ

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