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Os distúrbios do sono no idoso

O sono desempenha papel fundamental para o funcionamento adequado de nossas funções cerebrais. Enquanto dormimos, passamos por diferentes fases com funções e características próprias, que se alternam em ciclos indo desde o sono mais superficial até o mais profundo. Geralmente, apresentamos cerca de 4-5 ciclos de sono por noite, o que acontece em cerca de 6-8h. Durante esses ciclos, o cérebro apresenta períodos de baixa atividade, importante para seu “descanso” e “limpeza” de substâncias acumuladas, e outros de intensa atividade, com armazenamento de informações aprendidas no dia anterior e preparo para receber novos estímulos no dia seguinte.

Conforme envelhecemos, apresentamos mudanças na estrutura desses ciclos; em geral, o sono torna-se mais leve e com menos estágios profundos, com tendência a dormir e acordar mais cedo. Como resultado, as queixas de insônia são mais comuns entre os idosos, o que muitas vezes pode ter consequências como sonolência, menor disposição, dificuldade de aprendizado e memória e até distúrbios mais graves como a depressão. Entretanto, algumas medidas são de grande valia para mantermos o sono saudável e eficiente, conhecidas como “higiene do sono”, tais como: realização de atividade física durante o dia; limitação de cochilos diurnos (máximo 1h), redução de consumo de produtos com cafeína (café, chá preto, refrigerantes), especialmente após 16h; redução na ingesta de líquidos à noite, evitando despertares para micção; reservar o espaço da cama para dormir, evitando assistir televisão ou trabalhar no computador; preservar os “rituais” preparatórios para o sono, como leitura, chá ou lanches leves, reduzindo luminosidade e atividades estimulantes 1h antes de dormir.

Outros transtornos, como a apneia do sono, também se tornam mais frequentes com a idade e contribuem para piora da qualidade do sono. No caso da apneia, a maior flacidez da musculatura das vias aéreas contribuiu para colabamento das mesmas durante o seu relaxamento no sono, causando obstrução da passagem do ar e dificuldade respiratória, que se expressam por roncos e pausas na respiração. Isso acaba por levar a diminuição do oxigênio no sangue, causando prejuízo da oxigenação cerebral e impedindo que o sono se aprofunde adequadamente. O resultado é um sono fragmentado e ineficaz, com liberação de hormônios de estresse, o que aumenta o risco de doenças cardíacas, como hipertensão, infarto e arritmias. Infelizmente, é comum que a apneia passe desapercebida pelo paciente, principalmente se o mesmo dorme sozinho, e apenas conseguimos um diagnóstico correto através do exame da polissonografia, que monitora os movimentos respiratórios e oxigenação no sangue durante o sono. Por isso, todo paciente com queixas de sonolência diurna, sono não reparador, roncos intensos, aumento de pressão à noite e dificuldade de atenção deve ser avaliado quanto à necessidade de realizar a polissonografia. Uma vez diagnosticada, a apneia do sono tem tratamento e um médico especialista do sono deve ser consultado para ajudar na escolha entre as opções terapêuticas disponíveis.

Cuide de seu sono para envelhecer com saúde e qualidade! Se você tem queixas relacionadas ao sono, converse com seu médico e não tome medicações sedativas sem avaliação e aconselhamento médicos.

Dr. Ivan Abdalla
Geriatra Titulado pela SBGG/AMB
Comissão Científica de Geriatria da SBGG-RJ

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