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Notícias No dia 25 de abril de 2009, a SBGG-RJ promoveu no Hotel Intercontinental o VI Curso Intensivo Alzheimer A-Z. Ao contrário das edições anteriores, com foco voltado para o público médico, desta vez o evento teve caráter francamente interdisciplinar -- o que explica seu sucesso e a presença de quase 190 participantes.
O período da manhã foi dedicado a apresentações teóricas, a começar pelo "Impacto Social e Econômico da Doença de Alzheimer" demonstrado pelo presidente da SBGG-RJ, Dr. Carlos Paixão Jr., que discursou sobre os altos custos diretos e indiretos do tratamento de pacientes com doença de Alzheimer e seus cuidadores. O Dr. Ulisses Cunha, coordenador da residência médica em Geriatria do Hospital do Servidor Público Estadual de Minas Gerais, falou sobre a importância da intervenção nos fatores de risco modificáveis da doença de Alzheimer (principalmente hipertensão arterial, dislipidemia e diabetes mellitus) como uma maneira de prevenir a doença. Em seguida, ao comentar a avaliação de queixa de memória em idosos, frisou que o médico tem a obrigação de delimitar que o transtorno interfere com as atividades sociais, laborativas ou da vida cotidiana do paciente para fechar o diagnóstico de demência.
A Dra. Ana Cristina Canêdo defendeu o diagnóstico precoce da doença de Alzheimer como uma forma de permitir o planejamento da família e a tomada de decisões críticas para o futuro, lembrando que o diagnóstico é feito com mais frequência na fase moderada porque profissionais da atenção primária à saúde ainda tendem a considerar o esquecimento como próprio do processo de envelhecimento e demoram a referir os pacientes aos ambulatórios especializados. O Prof. Abelardo Araújo, neurologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisador titular da FIOCRUZ, apresentou os diagnósticos diferenciais de doença de Alzheimer, com ênfase na depressão. Comentou que o paciente demenciado é levado por familiares à consulta e nega problemas de memória enquanto o deprimido tenta maximizar suas queixas e oferece respostas evasivas. O Dr. Romeu Domingues, radiologista e diretor presidente do grupo CDPI, falou sobre avanços de neuroimagem em doença de Alzheimer, destacando a volumetria semiautomatizada por ressonância magnética como um método promissor para auxiliar no diagnóstico.
Após curto intervalo (para alimentação e prevenção de úlceras por pressão!), o Prof. Roberto Lourenço, do serviço de Geriatria Professor Mario Sayeg da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, apresentou os principais instrumentos de avaliação cognitiva e funcional, seguido da Professora Maria Angélica Sanchez, assistente social do mesmo serviço, que abordou o tratamento não-farmacológico interdisciplinar da doença de Alzheimer, sublinhando a importância da avaliação ativa dos cuidadores para identificar estresse, sobrecarga e depressão. O Dr. Rodrigo Serafim, diretor científico da SBGG-RJ, apresentou o diagnóstico e o manejo dos transtornos neurocomportamentais da doença de Alzheimer, com destaque para o delirium. Logo depois, o Dr. José Elias Pinheiro, geriatra do Instituto de Neurologia Deolindo Couto, discutiu os conceitos atuais e as perspectivas futuras no tratamento farmacológico da doença, tecendo comentários valiosos sobre a posologia e as principais indicações de anticolinesterásicos e memantina. Concluindo a manhã, a Dra. Eloisa Scharfstein, vice-presidente da Gerontologia da SBGG-RJ, falou sobre suporte psicológico do paciente e da família depois do diagnóstico, seguida do Dr. Ricardo da Cunha, coordenador do Setor de Clínica da Dor e Cuidados Paliativos do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, que comentou a abordagem paliativa da doença.
Depois do almoço, os participantes dividiram-se em estações práticas para treinamento voltado para o uso dos principais instrumentos de avaliação cognitiva e discussão do diagnóstico diferencial das alterações cognitivas e do tratamento de transtornos de comportamento e humor. Os grupos pequenos permitiram um contato mais próximo com os instrutores para que os participantes pudessem esclarecer dúvidas e aprimorar suas habilidades.
Ufa! O curso foi, com certeza, intensivo -- e apesar disso, ficou longe de esgotar a discussão de toda a complexidade clínica, psicológica e social da doença de Alzheimer. A SBGG-RJ agradece a presença dos palestrantes e participantes, convidando todos a participarem do GeriatRio, em outubro, quando haverá oportunidade de analisar em profundidade outros aspectos peculiares da doença. Até breve!
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